Dr. Arthur BerrêdoGlaucoma clínico e cirúrgico

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Tratamentos · Cirurgia

Trabeculectomia: como é feita e como é a recuperação

Resposta direta

A trabeculectomia cria uma nova saída para o líquido de dentro do olho, escondida sob a pálpebra, e reduz a pressão. É a cirurgia de glaucoma mais estudada.

Nesta página
  1. Quando é indicada
  2. Como é feita
  3. Riscos e complicações
  4. Pós-operatório
  5. O que esperar
  6. Trabeculectomia, implante ou ciclofotocoagulação?
  7. Quanto custa a trabeculectomia
  8. Perguntas frequentes

Quando é indicada

  • Quando colírios e laser não levam a pressão até a meta
  • Quando o glaucoma continua avançando
  • Quando o dano já é grande e a meta de pressão precisa ser mais baixa
  • Quando os colírios não são tolerados

Quando outra técnica pode ser melhor

Em olhos que cicatrizam mais (pessoas mais jovens, olhos inflamados ou já operados), em alguns glaucomas secundários e quando o acompanhamento frequente das primeiras semanas não é viável. Nesses casos, o implante de drenagem ou a ciclofotocoagulação podem fazer mais sentido. Essa decisão precisa de avaliação individual.

Como é feita

1. O líquido de dentro do olho

Antes, saía pela drenagem natural, que deixou de dar conta.

2. Sai por uma nova abertura

Uma pequena abertura na parede do olho, protegida por uma tampa do próprio tecido.

3. Forma a bolha filtrante

O líquido se acumula sob a conjuntiva, escondido sob a pálpebra de cima, e é absorvido.

Resultado

A pressão cai. A bolha, em geral, não aparece.

  1. Anestesia local, com sedação quando indicada. Você não sente dor durante a cirurgia.
  2. Com microscópio, é feita uma pequena abertura na parede do olho, na parte de cima, coberta por uma tampa fina do próprio tecido.
  3. É aplicada a mitomicina, um medicamento que reduz a cicatrização e ajuda a manter a nova saída aberta.
  4. A tampa é fechada com pontos ajustáveis, que controlam quanto líquido sai.
  5. Duração: em geral, menos de uma hora. Alta no mesmo dia.

Riscos e complicações

A trabeculectomia é eficaz, mas exige acompanhamento próximo. Os riscos mais conhecidos são:

  • Pressão baixa demais nas primeiras semanas, quando sai mais líquido que o esperado
  • Vazamento pela conjuntiva
  • Cicatrização que fecha a nova saída e faz a pressão voltar a subir
  • Catarata que aparece ou avança mais rápido
  • Infecção da bolha, que pode acontecer meses ou anos depois
  • Complicações raras e graves, como sangramento dentro do olho ou perda de visão

A maior parte desses problemas é identificada e tratada nos retornos. Por isso eles são frequentes no início.

Sinais de alerta, a qualquer tempo depois da cirurgia Olho vermelho, dor, secreção ou piora da visão. Procure atendimento no mesmo dia.

Riscos comparados por técnica

Pós-operatório

Primeiras semanas: retornos frequentes, começando no dia seguinte. Neles ajustamos a pressão.

Ajustes comuns: soltar pontos com laser, pequenos procedimentos no consultório para desfazer cicatrização e mudanças nos colírios. Fazem parte do tratamento, não são falha.

Colírios: antibiótico e anti-inflamatório por algumas semanas. Os colírios de glaucoma do olho operado costumam ser suspensos.

Visão: é comum ficar embaçada nas primeiras semanas.

Cuidados: não coçar nem apertar o olho, evitar esforço físico e peso, não entrar em piscina ou mar pelo período orientado, usar o protetor para dormir.

Trabalho e direção: liberados nos retornos, conforme a visão e o tipo de atividade.

O que esperar

O objetivo é manter a pressão na meta com menos colírios. Muitos pacientes deixam de usar colírio no olho operado. Outros continuam precisando de algum colírio, de ajustes ou, com o tempo, de nova cirurgia. A trabeculectomia não recupera a visão perdida: ela protege a que existe.

Trabeculectomia, implante ou ciclofotocoagulação?

Comparação entre técnicas
TrabeculectomiaImplante de drenagemCiclofotocoagulação micropulsada
Como reduz a pressãoNova saída sob a pálpebraTubo que drena para uma placaReduz a produção do líquido
Corte no olhoSimSimNão
Necessidade de colírio depoisMenor, em geralModeradaVariável
Retornos no inícioMuito frequentesFrequentesMenos frequentes
Situações típicasPrimeira cirurgia, meta baixaOlhos já operados, glaucomas secundáriosDifícil controle, risco cirúrgico maior

Em olhos sem cirurgia anterior, um estudo comparativo mostrou pressão mais baixa com a trabeculectomia e menos complicações graves com o implante. Não existe técnica melhor para todos. Cada caso é um caso.

Quanto custa a trabeculectomia

O valor varia com o hospital, a complexidade do caso e o que está incluído. O valor do seu caso é informado antes de qualquer decisão. Os convênios cobrem conforme as regras de cada plano, e o procedimento também existe na rede pública, por encaminhamento.

Valor, convênio e SUS

Perguntas frequentes

A bolha aparece?

Em geral, não. Ela fica sob a pálpebra de cima.

A cirurgia dói?

Não durante a cirurgia, por causa da anestesia. Depois, o desconforto costuma ser leve.

Quanto tempo dura o efeito?

Em muitos pacientes, anos. A cicatrização pode reduzir o efeito com o tempo, e por isso o acompanhamento é para sempre.

Posso operar os dois olhos?

Sim, quando os dois precisam, em dias diferentes.

Escrito e revisado por Dr. Arthur Berrêdo, oftalmologista, CRM-MT 15.491, RQE 7.727. Atualizado em 12 de outubro de 2026.

Referências: AAO Preferred Practice Pattern 2026, European Glaucoma Society (6ª ed.), Shields' Textbook of Glaucoma (7ª ed.), AAO BCSC Glaucoma.

Recebeu indicação de trabeculectomia?

Revisamos a indicação, comparamos com as outras técnicas e explicamos o que esperar da recuperação no seu caso.

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