Dr. Arthur BerrêdoGlaucoma clínico e cirúrgico

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Exames

Exames de glaucoma: o que cada um mostra

Resposta direta

Nenhum exame isolado fecha o diagnóstico. Pressão, nervo óptico, OCT, campo visual e gonioscopia são cruzados, e a comparação ao longo do tempo mostra se a doença está estável.

Nesta página
  1. Guia de cada exame
  2. Por que tantos exames?
  3. Tonometria: a medida da pressão
  4. Exame do nervo óptico
  5. OCT: a espessura das fibras
  6. Campo visual: o que você já deixou de ver
  7. Gonioscopia: o ângulo de drenagem
  8. Paquimetria: a espessura da córnea
  9. Com que frequência repetir
  10. O que levar no dia

Guia de cada exame

Recebeu o pedido de um destes exames? Cada um tem uma página com o que é, como é feito e o preparo.

Quanto custam os exames de glaucoma

Por que tantos exames?

Cada exame mostra uma parte do problema: a pressão, a estrutura do nervo, a função visual e a drenagem do olho. Nenhum deles, sozinho, fecha o diagnóstico. E o que mais importa é a comparação ao longo do tempo: um exame isolado é uma foto, e o acompanhamento é o filme.

Tonometria: a medida da pressão

Mede a pressão de dentro do olho, em geral com colírio anestésico e um aparelho que toca a córnea por um instante. Como a pressão varia ao longo do dia, uma medida isolada pode não representar a sua pressão de verdade. Por isso medimos em mais de uma ocasião. Quando é preciso conhecer a pressão em vários horários, existem a curva tensional e o teste de sobrecarga hídrica.

Tonômetro de aplanação acoplado à lâmpada de fenda
O tonômetro: a ponta iluminada toca a córnea por um instante.
Imagem vista pelo médico durante a medida da pressão do olho
O que o médico vê: dois semicírculos. Quando eles se tocam, a pressão é lida no aparelho.

Exame do nervo óptico

Feito no consultório, com lentes e luz. Avaliamos o formato do nervo, a escavação central e a borda de fibras. No glaucoma, a escavação aumenta e a borda fica mais fina. A retinografia, uma foto do fundo do olho, registra esse aspecto para comparação futura.

Retinografia de um nervo óptico saudável
Nervo saudável: escavação central pequena e borda de fibras espessa.
Retinografia de um nervo óptico com glaucoma
Nervo com glaucoma: a escavação clara ocupa quase todo o disco e a borda afina.
Fundoscopia em detalhe

OCT: a espessura das fibras

O OCT funciona como um ultrassom feito com luz. Em poucos segundos, sem encostar no olho, ele mostra o nervo óptico em corte e mede a espessura da camada de fibras. No glaucoma, essa camada vai ficando mais fina, muitas vezes antes de a pessoa perceber qualquer falha na visão. Cada exame é comparado com os seus anteriores.

Exame de OCT mostrando o nervo óptico em corte
OCT do nervo óptico em corte. A faixa colorida é o tecido de fibras e a linha vermelha marca a superfície. A depressão no centro é a escavação, que se aprofunda quando as fibras se perdem.

Catarata, olho seco e miopia alta podem alterar a qualidade do exame. Por isso o OCT é interpretado junto com o restante.

OCT do nervo óptico em detalhe

Campo visual: o que você já deixou de ver

O aparelho acende pequenas luzes em vários pontos e você aperta um botão sempre que vê uma delas. O exame mapeia a visão lateral, onde o glaucoma costuma começar. Exige atenção, e o primeiro exame às vezes serve de treino. Uma alteração isolada costuma ser confirmada com repetição.

Exame de campo visual com perda na metade de cima da visão
Campo visual real. As regiões escuras são as áreas da visão que já se perderam: aqui, a metade de cima, poupando o centro.
Campimetria em detalhe

Gonioscopia: o ângulo de drenagem

Com colírio anestésico, uma lente encosta levemente no olho e permite ver a drenagem. É o exame que define se o glaucoma é de ângulo aberto ou fechado, e isso muda o tratamento. A tomografia do segmento anterior complementa a gonioscopia com uma imagem do ângulo em corte, sem contato.

Tomografia do segmento anterior mostrando o ângulo de drenagem
Tomografia do segmento anterior. A faixa clara em diagonal é a parede do olho com a córnea; a faixa horizontal é a íris. O ângulo de drenagem fica no encontro entre as duas.
Gonioscopia em detalhe

Paquimetria: a espessura da córnea

Mede a espessura da córnea. Uma córnea mais fina faz a pressão parecer mais baixa do que é, e também está associada a risco maior de glaucoma. Por isso entra na interpretação da pressão.

Paquimetria em detalhe

Com que frequência repetir

Depende do estágio, do risco e de como a doença está respondendo ao tratamento. Em casos estáveis, os intervalos são maiores. Quando há suspeita de piora, os exames são repetidos mais cedo para confirmar. Cada caso é um caso, e o intervalo é explicado na consulta.

O que levar no dia

  • Todos os exames anteriores, mesmo os antigos: OCT, campo visual, retinografia. São eles que mostram a evolução
  • Laudos, relatórios de cirurgia e de laser nos olhos
  • O seu histórico médico geral: diabetes, pressão alta, asma, problemas cardíacos, cirurgias
  • A lista de colírios, com os horários de cada um, e a dos outros remédios
  • Óculos em uso
Como é a consulta

Escrito e revisado por Dr. Arthur Berrêdo, oftalmologista, CRM-MT 15.491, RQE 7.727. Atualizado em 12 de outubro de 2026.

Referências: AAO Preferred Practice Pattern 2026, European Glaucoma Society (6ª ed.), Shields' Textbook of Glaucoma (7ª ed.), AAO BCSC Glaucoma.

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